webGUS

Voando De Novo

Outubro 31, 2007 · Não Há Comentários

Este post foi escrito entre às 15h47m e às 16h35m. (Insira barulhinho do relógio de 24 Horas aqui)

Pois é, eu já viajei muito de avião na minha vida, algo muito bom e que eu até aprecio em alguns aspectos. Hoje vou voar de novo, já estaria há milhares de pés acima do solo, dentro de um Boeing 747, se não tivesse pegado trânsito. Pois é, por isso todo mundo já passou, ainda mais os moradores de São Paulo.

Cheguei ao aeroporto atrasado, como de costume, e me dirigi até ao guichê da Varig. Chegando lá enfrentei uma fila bem pequena, bem comum desde que a empresa foi comprada pela Gol. Eram exatamente quinze horas e dois minutos quando me aproximei do balcão do check-in, onde uma gorducha loira com pelo menos quarenta anos me atendeu antipaticamente. Fui logo dizendo “Oi, eu vou pegar o vôo para Porto Alegre às 15h35.” E ela logo respondeu, fazendo uma cara de idiota quando se acha esperto “Ah não, não dá mais.” Eu faço uma cara de “entendi, mas estou espantado” e falei “Como assim?”. A moçoila com cara de quem tem idade de duas moçoilas e meia me encarou, com o mesmo olhar que havia demonstrado há instantes e condescendentemente disse a seguinte frase “Você tem que chegar uma hora antes do vôo.” Ué, até parece que eu não sei, é claro que eu sei disso, sei disso desde muito pequeno (ainda não descobri porque há de ser assim, mas de que é assim eu tenho total conhecimento). Contorci-me para não gritar nem espancar parte daquele equipamento jurássico que é usado nos aeroportos brasileiros e com uma voz inocente e um olhar para combinar disse “Mas são três horas ainda, faltam trinta e cinco minutos até o vôo sair.” A pseudo-loiraça com alguns muitos quilos a mais teve de retrucar com um comentário que faria muitos no meu lugar pularem com a intenção de atingir a jugular da tal burocrata de saia apertada “São três horas e três minutos” (Com muita ênfase neste último “três”).

A este ponto eu me senti derrotado, destruído, levado à exaustão mental por uma reles “retrucadora” de bobagens mal pensadas que se agarra às burocracias e falsas barreiras do sistema aeroviário brasileiro para se sentir intelectual e moralmente superior aos cidadãos submetidos ao tal sistema. Ou pode-se simplesmente dizer que eu fiquei puto. Foi ai, neste momento, no meu momento mais vulnerável do dia*que a facínora disfarçada de atendente de aeroporto se virou a mim como se fosse minha salvadora e disse “Você vai pegar o vôo das dezesseis horas e quarenta e cinco.” Nessa hora eu quase caí no mais vil truque da bruxa de Congonhas**: acreditar que ela havia feito algo benevolente, generoso, arranjar um vôo que não era tão mais tarde. Mas o pensamento crítico tem de estar sempre processando todas as informações e logo se tornou fácil perceber que, na verdade, ela havia criado uma situação para que eu precisasse de sua “ajuda” para que, no final da história, eu não pensasse nela como você já percebeu que penso.

Enfim, o homem que fez check-in ao meu lado conseguiu embarcar, porque a atendente que cuidou de seu processo de pré-embarque era mais do que 2% humana e o “deixou” livre para correr um pouquinho e chegar ao seu vôo. Ao ver isso eu tentei convencer a dominatrix da sessão sadomasoquista que é a vida de que havia esperança para um mero mortal como eu, mas ela disse que o vôo dele era outro, mas eu sabia o que tinha ouvido e o olhar estranho lançado pela atendente do bem à Srta. Pedra No Meu Olho*** era uma evidencia muito valiosa para provar o crime de magia negra.

Depois parei para comer um sushi, já que agora eu tinha tempo de sobra. Estava bom, bastante atum, não faltava arroz, uma wasabi de boa consistência e shoyo de ótima qualidade.

Vou terminar este post por aqui, depois escreverei uma continuação, neste momento estou na sala de embarque, depois de comer a iguaria japonesa passei na farmácia e agora espero meu vôo.

GUS

*A contagem e medição qualitativa de momentos vulneráveis ainda não foi liberada pelo Ibope até o presente momento.

**Nome científico: Bruxis Congonhanimus.

***Senhorita não porque era nova, mas sim porque nunca que alguém com mais de uma célula viva em sua constituição corporal ia se casar com este djinn dos tempos modernos.

Parte 2

Pois é, a parte dois está no mesmo post, não faz sentido eu postar separadamente já que estou escrevendo tudo antes de criar o blog (o que eu farei hoje mais tarde, tanto sei que farei que você está lendo isso).

Estou no avião, no qual entrei às 17h10m aproximadamente. São 17h57m e há pouca bateria no laptop… Uma rápida checagem com a seta do mouse mostra que há ainda 27% da carga para ser utilizada ainda, não é tão pouco, ainda mais para quem só está usando o Word, sem WiFi e sem áudio.

Estou ouvindo algumas músicas em meu Zune enquanto digito esta pequena conclusão.

Esqueci-me de mencionar que, enquanto comendo o delicioso rolinho de alga com gohan e atum observei um garoto de uns vinte e poucos comer um hambúrguer e mergulhar algumas de suas batatas fritas em sua cerveja… Pronto, digeriu esta informação? Um ser humano, que claramente já havia se deliciado com os prazeres da culinária norte-americana em público, decidiu que seria delicioso ter o seu paladar estimulado por uma mistura de óleos saturados, sal, batata, álcool, cevada levedada e alguns excipientes. Mas não pára por ai, ele ficou satisfeito com este balé de coisas apreciadas por muitos mas que não devem se misturar, como Michael Jackson e criancinhas. Ele, o senhor geração Y (a irmã mais nova e mais chata da geração X, eu já sou da geração Z ou A1 ou sei lá pra onde se vai depois do Z), repetiu o ato diversas vezes e demonstrava apreciar imensamente a batata alcoólica (sem contar que a cerveja já devia estar salgada a este ponto, bom, não gosto de cerveja nem um pouquinho, mas até eu vejo como isso a deixaria pior).

Eu havia bloqueado esta memória recente, mas ela, por acaso, me veio à cabeça quando entrava na aeronave onde me encontro. Nesta hora eu tive um diálogo interno que vou transcrever com se faria em um texto dramático para tornar o processo de leitura mais dinâmico, deixando você, leitor, mais a par do ritmo que este diálogo tomou em meio aos milhões de impulsos elétricos que, incessantemente, viajam o meu (e todos os) cérebro(s):

Eu: Nossa, aquilo foi nojento.

Eu2: Foi. Foi nojento demais… Mas peraí, podia ser guaraná.

Eu: Ah é… Peraí! Que diferença faz? É muito nojento igualmente, senão mais!

Depois desta profunda e epopéica discussão eu os deixo.

Até o próximo post.

GUS

Categorias: Cotidiano · GUS

0 responses so far ↓

  • There are no comments yet...Kick things off by filling out the form below.

Deixe seu comentário